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25/06/2005 17:32


NOVELAS DE ÉPOCA

Em 1999, depois de anos sem produzir telenovelas de época, a Rede Globo relançou o estilo com a excepcional Força de Um Desejo, de Gilberto Braga. Inexplicavelmente a audiência não respondeu à altura, mas a tendência épica projetou-se ao longo dos anos seguintes.
Foi justamente neste formato que o horário das seis encontrou seu caminho. Pelas mãos de Walcyr Carrasco, especialista em tramas ambientadas no início do século XX, o público vespertino da Globo foi resgatado depois de consecutivas crises. O horário nobre também adaptou-se à volta dos épicos. Terra Nostra (1999) foi a primeira, seguida por Esperança (2002).
A verdade é que as novelas de época sempre tiveram seu espaço junto ao público, mas foram extintas pela falta de possibilidades comerciais. Em 1975 a Globo criou o horário das seis especialmente para adaptações épico-literárias. O primeiro título foi Helena, versão de Gilberto Braga para o texto de Machado de Assis. Seguiram-se sucessos como Senhora (1975) e A Escrava Isaura (1976).
Em 1994, através de Éramos Seis, o SBT encontrou em remakes épicos a fórmula para o sucesso. Produziu em seguida As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue. Os elevados custos fizeram a emissora de Sílvio Santos recuar e retornar à mexicanização.
Ano passado foi a vez da Record testar esta linha. Também foi bem sucedida. A nova versão de A Escrava Isaura conquistou a crítica e o público, bem como a atual Essas Mulheres, adaptação de três obras de José de Alencar: Senhora, Lucíola e Diva. A experiência de Record muito em breve será ampliada para um segundo horário de teledramaturgia. O autor Lauro César Muniz já está escrevendo um remake do grande sucesso Escalada, obra assinada pelo mesmo Lauro em 1975.
Nem só de romances e dramas vivem as tramas épicas. A comédia também é um vasto terreno para o desenvolvimento de boas sinopses. Prova disso é Que Rei Sou Eu? (1989), novela de Cassiano Gabus Mendes que satirizava um reino contemporâneo à Revolução Francesa.
Carruagens, escravos e plantações de café. Cenários e figurinos que enchem a vista e dão substância a textos primorosos. A arte vencendo barreiras comerciais.

Leandro Barbieri//
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21/06/2005 01:25


O EQUILÍBRIO ENTRE A COMÉDIA E O DRAMA

A Lua me Disse, novela de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, é indiscutivelmente uma obra voltada para a comédia. A composição de cada papel traça sátiras e caricaturas. Porém, mesmo ante os risos, a sensibilidade do folhetim faz-se presente no núcleo central.
A densidade dramática é elemento fundamental na construção de qualquer roteiro telenovelístico. É ela a emoção que alimenta o relacionamento do telespectador com as personagens, tornando estas humanas e próximas da realidade.
A veracidade desta fórmula pode ser comprovada através de Da Cor do Pecado, sucesso de João Emanuel Carneiro transmitido pela Globo em 2004. Em meio a uma série de núcleos cômicos e excêntricos estava a tragédia de Paco (Reinaldo Gianecchini), filho desaparecido do empresário Afonso Lambertini (Lima Duarte) que via sua vida destruída pelas ambições de Bárbara (Giovanna Antonelli). O público sofria com Paco e refugiava-se no humor das tramas paralelas.
Sílvio de Abreu tentou romper a regra em Rainha da Sucata (1990). O autor, que vinha com experiências mais leves do horário das sete, resolveu radicalizar sua sinopse com um perfil de chanchada. A resposta dos telespectadores foi péssima e a novela só ganhou fôlego quando a protagonista Maria do Carmo (Regina Duarte) começou a sofrer.
No ponto de equilíbrio entre a comédia e o drama está a fórmula do bom texto. Quanto maior o leque de emoções que uma telenovela conseguir alcançar, maior será sua abrangência de público. Extremos absolutos são sempre prejudiciais. O escrachado cai no ridículo, o melodramático na mexicanização.
Profundo conhecedor deste ponto de equilíbrio era Cassiano Gabus Mendes. Autor de sucessos como Tititi (1985) e Brega e Chique (1987), o autor conseguia debochar sem perder a sensibilidade. Um bom exemplo é Que Rei Sou Eu? (1989). A sátira à corrupção em nenhum momento desestruturou a saga amorosa e patriótica do protagonista vivido por Edson Celulari.
Vale constar que este balanceamento não pode se limitar ao roteiro. Cada papel deve trabalhar diversas facetas, afastando a personagem do maniqueísmo gratuito. Não existe um ser humano que sorri o tempo todo, nem um que só sofre. A boa composição é aquela que entende o comportamento da personagem nas mais alternativas situações. Nesta descrição podemos destacar Arlette Salles em A Lua me Disse. Sua Ademilde, ao mesmo tempo que alimenta a comédia, sofre com a solidão amorosa e impõem-se diante das atitudes da família ingrata.
O fato é que o gênero teledramatúrgico está cada dia mais plural. Diversas são as munições utilizadas para acertar o dificílimo e imprevisível alvo da audiência.

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br