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03 de outubro de 2005 2:47


SAUDADES DA TV ARTESANAL

No último dia 24 a Associação Pró-TV organizou no restaurante Gigetto, em São Paulo, uma festa para os 55 anos da TV brasileira. O evento, realizado pela presidente da associação e pioneira de nossa teledramaturgia, Vida Alves, homenageou artistas que construíram a história de nossa teledramaturgia.

Em meio a tantas lembranças uma manifestação comum: a saudade da televisão do passado, da televisão artesanal. Dos tempos em que o improviso era o único recurso diante e atrás das câmeras. Para muitos dos presentes, as dificuldades alimentavam a criatividade. E não houve quem não se mostrasse preocupado com os rumos da televisão moderna. A atriz Eva Wilma, uma das homenageadas da tarde, declarou: ¿A TV do passado tinha mais recursos de criatividade que de tecnologia. Eu sempre digo que não podemos deixar a tecnologia atrapalhar a teledramaturgia. Dentro do entretenimento, contar uma história é coisa simples. Se enfeitar muito estraga.¿

Mesmo mostrando-se a favor dos avanços tecnológicos, a atriz Laura Cardoso também manifestou sua simpatia pela TV artesanal: ¿ Tudo que fazíamos era com as mãos. Não havia a técnica que há hoje em dia. O que havia era primário. A tecnologia é maravilhosa, mas o ser humano perde com tanta técnica. Perde a espontaneidade, perde a criação. O que podia ficar bonito se feito com as mãos fica mais ou menos bonito com a tecnologia. Sou adepta, ela tem que existir, mas sou mais o ser humano trabalhando com as mãos.¿

A idéia de que a televisão moderna engoliu alguns valores do passado deve-se ao altíssimo grau de industrialização atingido pelo veículo. Perdeu-se muito do humanismo que envolvia as produções. ¿Nossa televisão era outra televisão. Não era essa televisão. Com raras exceções, note bem. Têm muitos atores novos bons, muita coisa maravilhosa. Mas tem muita coisa da qual me envergonho, infelizmente¿, sentencia a atriz Márcia Real.

As revoluções que modificaram a TV acabaram por transformá-la no mais forte meio de comunicação do país. Na teledramaturgia o diferencial brasileiro é evidente, como frisou o ator Tarcísio Meira: ¿Nossa televisão é diferente da televisão que o resto do mundo faz. A TV brasileira está sempre com propostas novas, com coisas diferentes. E a telenovela brasileira, em especial, tem muito disso. Se caracteriza por ser um teatro mesmo. Um teatro de qualidade. Um teatro popular.¿

A atriz Glória Menezes, outra homenageada pelo evento da Pró-TV, compartilha da mesma opinião de Tarcísio, lembrando que a televisão também torna imortal a história do próprio país: ¿Nossa televisão conta nossa história. Agora vai começar uma minissérie sobre Juscelino Kubitschek. Isso é história, vai ficar para que saibam quem ele foi. E muitos nem sabem como ele morreu. Eu acho importante contar a história.¿

O fato é que, mesmo com seus altos e baixos, a televisão brasileira merece aplausos. Tem uma trajetória de glórias (que o museu de Vida Alves luta para manter na lembrança) e obras que o mundo consagrou. Nesta constante evolução, basta que não esqueçamos destas palavras de Eva Wilma: ¿A televisão tem a função de ser essa janela para o mundo em termos de informação, mas também de ser o entretenimento com fantasia, poesia, imaginação e arte A câmera é uma radiografia. Ela capta seus pensamentos, seus sentimentos. Ela capta até os sentimentos mais secretos.¿

Aguarde, dia 17 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br