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15 de novembro de 2005 18:52


A ESTRÉIA DE BELÍSSIMA

"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". A famosa frase de Vinícius de Moraes define o enredo de Belíssima, novela de Silvio de Abreu que tem como missão resgatar as críticas positivas à faixa das 21hrs.

Belíssima traz em seu corpo de elenco veteranos consagrados como Tony Ramos, Lima Duarte e Fernanda Montenegro. A força destes nomes garante a infra-estrutura da história que traz ainda rostos de uma provável nova safra de atores.

A discussão proposta por Silvio de Abreu é tão pertinente e metalingüística quanto a temática levantada por Gilberto Braga em Celebridade (2003).Gilberto aproveitou-se do mesmo veículo que produzia o Big Brother e tantos outros "fabricantes de artistas" para satirizar os pseudo-famosos. Silvio questiona a importância da estética em um produto tido como ditador de padrões. Dois diferentes enfoques com a mesma proposta: entreter com reflexão.

A escolha de Glória Pires para viver Júlia Assumpção, apontada pela vilã Bia Falcão como "um tipo comum" foi certeira. O figurino e a maquiagem de Glória disfarçam a exuberância sempre veiculada à imagem da atriz, deixando o público na dúvida: Bia está certa ou errada?

Odete Roitman, vilã de Beatriz Segal em Vale Tudo tem seu posto ameaçado. Ou ao menos corre o risco de ter que dividi-lo. Fernanda Montenegro esbanja crueldade na frieza de seu olhar, dando tons sarcásticos e malignos para a personagem. No contraponto está Pedro Paulo Rangel, que vive o irmão da megera. Pedro alivia o denso clima da mansão de Bia e acentua os clássicos tons bem humorados de Silvio de Abreu.

E Jamanta não morreu. Tal como fez com Dona Armênia (Aracy Balabanian) e "suas filhinhas" em Deus nos Acuda (1992), o autor dá uma sobrevida à personagem de Cacá Carvalho, sucesso de Torre de Babel (1998). Dizendo-se desmemoriado e sem maiores justificativas para seu aparecimento na nova novela, Jamanta (ao lado do Pascoal de Reinaldo Gianechini) é o auge do núcleo cômico da trama.

A mistura de culturas presente no casarão da família de Murad (Lima Duarte) é um dos charmes de Belíssima. Judeus, italianos, gregos, turcos, japoneses e nordestinos buscam uma interessante harmonia em uma espécie de microcosmo de São Paulo.

Poder, arte e bom humor. Ingredientes típicos de Silvio de Abreu que devolvem ao horário nobre o bom gosto e o requinte da novela das oito.

Aguarde, dia 28 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br