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12 de dezembro de 2005 02:54


FOFOCAS DE BASTIDORES

Silvio de Abreu, as vésperas da estréia de Belíssima, declarou ao jornal "O Estado de São Paulo": "Não me contem fofocas". O autor da trama das oito disse que evita o diz-que-me-diz dos bastidores para que questões pessoais não afetem seu roteiro. É uma sábia posição.

Em 1999 Benedito Ruy Barbosa escrevia Terra Nostra quando indignou-se com mudanças que o ator José Dumont fez em seu texto. José comparou morros cobertos de neve com flocos de sorvete, doce ainda não inventado na época em que a novela se passava. A personagem morreu. O mesmo Benedito já havia cortado, em Renascer (1993), um ator que não correspondia as suas expectativas.

Em 1997 revistas noticiaram a insatisfação de Antônio Fagundes com Atílio, sua personagem em Por Amor. O autor, Manoel Carlos, não se manifestou nem reduziu o protagonista, mas o clima foi amplamente propagado pela mídia.

Uma terceira história é a de Glória Menezes em Vira-Lata (1996). A atriz pediu para se desligar da trama que, segundo ela (e todo o público), ia de mal a pior. Suzana Vieira a substituiu. Na mesma obra o ator Ary Fontoura reclamou dos rumos de sua personagem. Nos últimos capítulos declarou: "O Carlos Lombardi (autor da novela) me deve um papel".

Fofocas e especulações acabam, mesmo que inconscientemente, abalando a confiança que o autor deposita em determinado ator. Especialmente quando as insatisfações prejudicam a interpretação, coisa que, é verdade, raramente acontece. Quem assistiu Lima Duarte em Fera Ferida (1993) jamais imaginou que o ator se incomodava com os surtos psicóticos de sua personagem, o Major Bendes.

Trágicos são os conflitos que se estabelecem entre diretores e autores. Caso recente foi o de América. Os desentendimentos de Glória Perez e Jayme Monjardim, autora e diretor, fizeram a protagonista Sol (Débora Secco) perder o tom de sua composição. Monjardim se afastou e a novela tomou um rumo completamente diferente do original. A audiência subiu, mas a coerência e a lógica da trama se perderam.

Um bom ambiente de trabalho tende a colaborar com a atmosfera da novela, crescendo o jogo do elenco e a afinidade entre direção e autor. Mesmo com problemas na audiência, A Lua Me Disse (2005) chegou ao fim com dignidade, qualidade e profissionais unidos. A harmonia salta aos olhos do telespectador e, muitas vezes, colabora com o sucesso de um projeto. Foi assim em Celebridade (2003), realização entre amigos que atingiu resultados bastantes satisfatórios.

Brigas, insatisfações, boatos. Fatores que podem ou não prejudicar a criação. Na dúvida, que se evitem as fofocas.

Aguarde, dia 26 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br