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13 de fevereiro de 2006 20:07


LÍDERES DE AUDIÊNCIA

Nas últimas semanas, a guerra pela audiência tomou proporções inesperadas. A vitória de Prova de Amor (novela da Record) sobre o Jornal Nacional (clássico da Globo) abalou as estruturas do IBOPE da grande São Paulo em um festival de polêmicas, desesperos e comemorações.

O "sumiço" dos índices que comprovariam a vitória da Record colocou em xeque a credibilidade dos números que movem a indústria televisiva do país. Para alguns falha técnica, para outros boicote, o fato é que a então inabalável força Global balançou. E balançou ainda mais depois da estréia do reformulado Jornal da Record, um assumido clone do JN.

A estratégia da Record é evidente. Quer aproximar seus padrões dos da concorrente, diminuindo a diferença estética e qualitativa das duas programações. O JR tem as mesmas cores, a mesma linguagem e a mesma dinâmica do JN que, com a ameaça da concorrente, perdeu-se em matérias insólitas e próximas da apelação.

O plano da mais antiga emissora do Brasil pode não ser o mais saudável para o telespectador, mas conseguiu cumprir sua principal meta: deixar para trás o SBT. Vencida a disputa pela vice-liderança, a Record parece rumar para uma guerra maior: a bipolarização da TV brasileira.

O fim da hegemonia do patrimônio de Roberto Marinho ainda é uma realidade distante, mas não improvável. A emissora carioca acomodou-se na condição de líder absoluta e, de alguns anos para cá, perdeu muito de seu atrevimento. Inovações de linguagem e estrutura, como as que aconteceram nos saudosos anos 70, 80 e até mesmo 90 (na crise provocada por Pantanal), foram restritas a alguns autores da teledramaturgia como Silvio de Abreu (que com João Emanuel Carneiro introduziu uma linguagem seriada na telenovela através de Da Cor do Pecado) e Gilberto Braga (que criticou a fama instantânea dentro do mesmo veículo que exibia o Big Brother Brasil). De resto, programas duvidosos como Zorra Total e Linha Direta mantiveram-se na grade sem maiores cerimônias.

O que falta na Record é originalidade. A estratégia seguida só será vitoriosa se, partindo do modelo da concorrente, for encontrado um novo padrão, uma nova estrutura. A disputa pelo primeiro lugar renderá bons frutos ao telespectador quando as opções forem distintas, quando as possibilidades forem muitas. Além de um vasto leque de conteúdo, teremos também um aumento na qualidade e na ousadia das programações. Uma concorrência à altura fará a Globo crescer ainda mais em suas produções, oferecendo ao público grandes sucessos.

Ponto a ponto. Guerra pela liderança. Tecnicismos de uma revolução que, com armas de qualidade, beneficiarão o público com informação e entretenimento.

Nesta data o site Televidere completa 3 anos, agradecendo a todos pela audiência e pela freqüência. Obrigado.

Aguarde, dia 20 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br