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04 de abril de 2006 19:08


ATORES POR STATUS

Não param de crescer os cursos livres e profissionais de teatro em São Paulo. Com preços para todos os bolsos, estes cursos prometem desde a quebra na timidez até uma formação séria para futuros artistas.

Dos muitos estabelecimentos, poucos acabam por merecer o timbre da seriedade. Não pela proposta, mas pela freqüência. Grande parte dos alunos não busca conhecimento, mas sim o suposto glamour da carreira. Vislumbram uma oportunidade na Globo sem compreender o real sentido da profissão.

O verdadeiro ator baseia-se em dois grandes alicerces: conhecimento e sensibilidade. Leitura e senso de observação são fundamentais. Entender a estética teatral, a estrutura de um bom texto, o conteúdo de uma composição e o contexto em questão são passos ignorados por esta legião que sonha com capas de revista e entrevistas ao Vídeo Show.

Cabe aqui uma ressalva. Nada, absolutamente nada contra globais. Não esqueçamos que é nos corredores do Projac que encontramos monstros sagrados como Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Tony Ramos. A crítica aqui vai à juventude representada por Paulos Vilhenas e Dados Dolabellas que se dizem "intuitivos" e desprezam os valores mais essenciais da arte. Estes "modelos da nova geração" banalizam a profissão e iludem as massas desinformadas.

Se antes integrar uma companhia de teatro era símbolo de marginalização, hoje é status. Ser ator é estar na moda, é ser popular. Enquanto os verdadeiros artistas apanham das leis de incentivo e dos patrocinadores (infelizmente em extinção), esta juventude transviada fuma e se droga sem conhecer Stanislavski ou compreender Brecht.

Em meio a este circo salvam-se as exceções. Adolescentes que se afogam nos estudos e sabem que o teatro vai muito além das orgias Dionisíacas. Nestes depositamos a esperança de uma nova geração de talentos.

O crescimento da Record, a expansão da teledramaturgia da Band e as investidas do SBT aumentaram as oportunidades. Ao invés de três, temos agora sete novelas no ar com elenco nacional. A notícia é boa, desde que respeitem o telespectador com intérpretes de palco, e não de passarela.

Roupas exóticas, cigarros de maconha, porres de vodca. Cortina de fumaça que esconde a falta de preparo de jovens que vêem na carreira de ator o grito para uma liberdade sufocada. E Shakespeare que se dane...

Aguarde, dia 17 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br