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18 de abril de 2006 21:59


O FINAL DE BANG BANG

Quando estreou em setembro do ano passado, Bang Bang, novela de Mário Prata, prometia grande uma inovação no gênero. Ambientada no Velho Oeste, a trama que seria veiculada pela Manchete nos anos 80 atraiu muitos curiosos e entusiastas do tema.

Bang Bang exibe nesta semana seu capítulo derradeiro. No balanço final, muitos erros, decepções e fracassos. Apontada como responsável pelo crescimento da Record e pela queda da audiência do Jornal Nacional, a novela finalizada por Carlos Lombardi desanimou os telespectadores.

Especialistas atribuíram o insucesso à ambientação, aos nomes estrangeiros das personagens, à estética e aos figurinos inusitados. Desculpas esfarrapadas. Todos estes elementos foram utilizados com grande êxito por Cassiano Gabus Mendes em Que Rei Sou Eu? (1989).

A crítica também condenou a falta de ligação entre os núcleos, problemática que teria deixado as personagens soltas em esquetes e sem uma teia folhetinesca. Outro equívoco. Em Da Cor do Pecado (2004), João Emanuel Carneiro desconectou seus núcleos e mesmo assim manteve a unidade da obra.

A grande verdade é que faltou texto em Bang Bang. As personagens, vazias e superficiais, não conseguiram criar empatia com o público. Especialmente os protagonistas Ben (Bruno Garcia) e Diana (Fernanda Lima). Ben, muito seco, não tinha o brilho dos heróis. Diana, sem sensualidade, sofreu com a errônea escalação da modelo Fernanda Lima.

Com tendinite e princípio de osteoporose, Mário Prata abandonou a novela por volta do capítulo 30. Seus colaboradores tentaram manter o pique da trama que, cada vez mais sem ritmo, foi resgatada por Carlos Lombardi. Consagrado por títulos como Bebê a Bordo (1988) e Quatro Por Quatro (1994), Lombardi aumentou o humor da novela e redesenhou algumas personagens. Mexeu no caráter dos protagonistas e convidou atores de sua confiança (Nair Belo, Betty Lago e Marcos Pasquim) para complementar as alterações. Conseguiu uma singela melhora.

Mesmo com tantas intempéries, é injusto declarar que Bang Bang não valeu a pena. O simples fato de ter saído do lugar comum já faz da obra um importante passo na teledramaturgia. Além disso, interpretações como as de Mauro Mendonça, Ney Latorraca e Joana Fomm serviram de alicerce para os pontos positivos da trama.

Sucesso ou fiasco, o fato é que Bang Bang abriu bons debates. Discutiu novos rumos, sinalizou para possíveis exageros. E neste panorama o público abandona a fictícia cidade de Albuquerque com os mal resolvidos fantasmas da audiência.

Aguarde, dia 1 de maio um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br