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01 de maio de 2006 23:27


"DEFEITOS" ESPECIAIS

Nos anos 80 uma onda tecnológica passou pelas telenovelas. A TV usou e abusou da linguagem clipada e dos grandes efeitos de edição. Quase 20 anos depois, o erro se repete. Estamos falando de Sinhá Moça, novela das seis da Rede Globo que, desde sua estréia, utiliza um software sobre as imagens para dar um ar cinematográfico à produção.

Não é novidade para o público que os textos de Benedito Ruy Barbosa seguem um ritmo lento. Basta nos lembrarmos de Terra Nostra (1999) e Esperança (2002). As histórias pedem takes paisagísticos e atores mais compenetrados. Talvez seja por isso que a alta cúpula da emissora resolveu escolher uma obra de Benedito para testar o tal recurso. Foi mais que infeliz. O lento tornou-se monótono.

Em determinados momentos, o público tem a sensação de que os atores estão se movendo em câmera lenta. Soa patético, especialmente quando o "defeito" tira o foco das personagens mais distantes da lente. E a direção insiste em trabalhar com planos mais abertos. Nada contra a modernização do gênero. Inovar é preciso. Mas é necessária uma dosagem que evite o vexame.

O processo de modernização da telenovela, ocorrido entre no final dos anos 60 e o início dos anos 70, pouco teve a ver com tecnologia. O diferencial veio pela concepção. Roteiros mais realistas, direções mais ousadas. Era a época de Beto Rockfeller e Véu de Noiva. De lá pra cá, pouca coisa mudou. Se a década de 70 foi um grande laboratório, as décadas seguintes foram meros repetecos. Sem coragem de arriscar (a audiência já falava mais alto), as emissoras mantiveram a linha de criação e buscaram alternativas técnicas.

O maior exemplo foi Metamorphoses (2003). A super produção digital da Record apresentou um roteiro pífio e, logo na primeira semana, despertou a repulsa do público. O mesmo não ocorreu com Sinhá Moça, já que o folhetim prende pelo conteúdo e supera a estranheza.

É evidente que a melhora da qualidade da imagem é necessária. Não reclamamos o avanço, reclamamos a perfumaria, os adornos que nada acrescentam e, como ocorre na atual novela das seis, estragam o que era para ser bom.

Torçamos para que esse surto cibernético acabe e dê espaço para inovações mais profundas. Imagem diferenciada não é sinônimo de qualidade.

Aguarde, dia 15 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br