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10 de julho de 2006 05:27


O FINAL DE BELÍSSIMA

Depois de meses de suspense, chegou ao fim Belíssima, novela de Sílvio de Abreu que garantiu excelentes índices de audiência para o horário nobre da TV Globo. O romance com pitadas policiais lançou ao telespectador a expectativa de um plano mirabolante e indecifrável que fazia vítima a protagonista Júlia (Glória Pires).

A tão aguardada revelação, o nome do manipulador, jogou um balde de água fria no público. Bia Falcão (Fernanda Montenegro), de vilania pública e notória e cujas más intenções sempre estiveram em evidência, assumiu a identidade do criminoso. Ou seja: nunca houve mistério.

Dias antes da exibição do capítulo derradeiro, Sílvio de Abreu declarou no programa de Fausto Silva: "Quando criei a trama de Belíssima achei o final muito óbvio. Por isso tive que complicar o desenvolvimento para confundir o telespectador". Ali Abreu entregou seu maior equívoco. Poluir a novela com atitudes e olhares misteriosos não tornaram o desfecho mais interessante. Ao contrário. Foi frustrante.

A idéia de traçar caráteres dúbios para todas as personagens comprometeu algumas composições. O amável Nikos (Tony Ramos) foi por vezes questionado, o simpático Gigi (Pedro Paulo Rangel) ganhou ares de falso e o bom vivant Alberto (Alexandre Borges) ameaçou revelar-se um bandido. São alguns dos muitos problemas gerados pelo acúmulo de pistas falsas.

Vitória (Cláudia Abreu) ser filha de Bia e Murat (Lima Duarte, impecável ao lado de Irene Ravache) foi um contraponto à decepção. O incesto cometido pela heroína (que casou-se com o sobrinho) e a teia que se estabeleceu entre os destinos dela e de Bia reavivaram o conceito folhetinesco da obra.

Bia Falcão... A megera que se deu bem. Acabou com o garotão bebendo champagne em Paris. Impune e longe dos que maltratou. Reflexo dos anseios do público que torce e vibra pelos crápulas. Boa percepção do autor.

Destaque merecem Carmem Verônica e Íris Bruzzi, as vedetes Mary Montillla e Guida Guevara. As atrizes deram um show à parte com bom humor e inteligência, coisas que não faltaram no texto de Sílvio. Que o diga Reinaldo Gianecchini e Cláudia Raia (Pascoal e Safira). O desabamento da oficina mecânica que entregou o romance dos dois à vizinhança foi antológico.

Vingando-se do trágico destino que foi obrigado a impor ao casal de lésbicas de Torre de Babel (1998), Sílvio de Abreu fez de Rebeca (Carolina Ferraz) e Karen (Mônica Torres) duas amantes. A sugestão foi válida, mas cabia a ousadia do beijo.

Belíssima termina como uma novela marcante. Entreteu e divertiu com bom gosto e sensibilidade. Um belo romance. E esqueçamos o policial...

Aguarde, dia 24 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br