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24 de julho de 2006 22:59


A ESTRÉIA DE PÁGINAS DA VIDA

O Leblon está em alta. Manoel Carlos voltou ao horário nobre da Globo com Páginas da Vida, novela das oito lançada sob polêmicas e expectativas. A obra ganhou os jornais quando a prefeitura do Rio de Janeiro tentou vetar a gravação de um arrastão na praia. O gesto, que remete à parte nada saudosa dos anos 70, garantiu bons índices de audiência logo na estréia.

Os primeiros sete capítulos giraram basicamente em torno de sexo. Quem não estava praticando discursava com suspiros sobre o assunto. Stripteases, traições e lingeries engoliram o lado poético das tomadas tomjobinianas do diretor Jayme Monjardim, deixando o público boquiaberto. O clímax deu-se no depoimento de uma senhora que encerrou o capítulo do dia 15 aconselhando as telespectadoras a se masturbarem.

Aí acalmou. As tramas ganharam espaço, a morte da personagem de Glória Menezes inaugurou o traço dramático da novela e o público pôde começar a entender as funções de cada papel. Mas ainda falta. O ritmo lento atrasou a catarse do telespectador com as personagens.

A exemplo do que aconteceu em América (2005), Jayme Monjardim não encontrou uma boa tônica para a direção de elenco. Os atores estão over. Exageram nos trejeitos e nas expressões, prejudicando a naturalidade exigida pelos diálogos de Manoel Carlos. Ana Paula Arósio e Tarcísio Meira são os que mais sofrem com os excessos. Suas falas estão discursadas demais para quem passa o dia conversando com a família e com os amigos. Falta intimidade.

Marcos Caruso merece destaque. A cena em que sua personagem recepcionou a filha grávida no aeroporto foi antológica, superando todas as cartadas dramáticas até então apresentadas. A mescla de susto e ternura expressa no olhar do ator foi excepcional.

Natália do Valle encontrou rápido sua personagem, a fogosa Carmem. Voluptuosa e com boas doses de excentricidade, Carmem é um retrato de sensualidade, engolindo até mesmo o já tradicional garanhão José Mayer. O ator, que em Laços de Família arregimentou uma legião de fãs ensandecidas, desta vez recebeu um papel ingrato. A função de Greg na trama é transpirar sexo. E nada mais.

O que falta em Páginas da Vida é força. A preocupação com as polêmicas sobrepôs-se a trama. As personagens estão perdidas e o público é mais guiado pela expectativa do que pela novela em si.
A vantagem é ouvir os bem construídos diálogos de Manoel Carlos, só prejudicados pelos popularescos depoimentos que encerram cada capítulo.

Aguarde. Dia 7 de agosto um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br