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23 de outubro de 2006 03:17


AS CARAS E BOCAS DE HELENA

É difícil definir o estilo de interpretação que Regina Duarte está aplicando em Páginas da Vida. A protagonista Helena, teoricamente realista, mescla a caricatura da Viúva Porcina com as estrepolias de um Arlequim, a expansividade dos palcos com as caretas do Zorra Total, a voz histérica com os rebuscados olhares da namoradinha do Brasil.

O parágrafo acima descreve o equívoco da veterana na atual novela das oito. Equívoco este que decepciona uma legião de fãs que aguardava ansiosa pela terceira parceria de Regina Duarte com o autor Manoel Carlos (ela foi Helena em História de Amor-1995 e Por Amor- 1997).

É fato. Diversos atores de Páginas da Vida estão se excedendo. È traço da direção de Jayme Monjardim ultrapassar os limites da interpretação para TV. Que o diga Ana Paula Arósio. Mas o caso de Regina vai além da linguagem. Helena é mais que exagerada. É eufórica.

Nesta hiperbólica composição quem sai perdendo é Joana Morcazel, atriz mirim que vive a pequena Clara, filha da protagonista. Falta química entre as duas e, em determinadas cenas, Regina parece tensa, desconfortável.

Há questão de duas semanas, o final de uma cena entre Regina e Joana chamou a atenção do telespectador mais atento. Enquanto a menina fazia um discurso evidentemente espontâneo, a atriz levantava os olhos com impaciência. Talvez aborrecida com o inesperado prolongamento da ação. Conseqüência da falta de afinidade.

As caras e bocas de Helena nos faz lembrar Andréia, criticadíssima personagem de Regina Duarte em Desejos de Mulher (2002). Na época foi levantada a hipótese de que a atriz se perdia por utilizar ponto-eletrônico ao invés de decorar suas falas. O boato não foi confirmado.

O lamentável desempenho da ex-namoradinha do Brasil em Páginas da Vida nos faz ter saudade dos bons tempos da Raquel de Vale Tudo (1988), da Cecília de Carinhoso (1973), da Simone de Selva de Pedra (1972) e de tantos outros memoráveis papéis da elogiada intérprete de Porcina (Roque Santeiro- 1985).

Equívoco, erro, exagero. Fica registrada a crítica. Não só a do pesquisador. Mas também a do telespectador irritado.

Aguarde, dia 6 de novembro um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

ILUSTRAÇÕES: Pedro Ivo FOTOS: globo.com sbt.com.br

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