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22 de novembro de 2006 20:45


O FINAL DE COBRAS E LAGARTOS

Cobras e Lagartos exibiu na última semana seu capítulo derradeiro. A trama de João Emanuel Carneiro acabou com 44 pontos de audiência e clima de sucesso.

Duas novelas em um mesmo produto. De um lado, humor inteligente e personagens bem construídos. De outro, gritaria e estereótipos. O caos veio da relação entre direção e texto. A tônica do diretor Wolf Maya transbordou as sutilezas de Carneiro, exaltando os detalhes e engolindo os conflitos.

A família de Foguinho (Lázaro Ramos) é um exemplo. Muita gente. Muitas vozes. Muitas informações. E as tiradas se perderam na bagunça. Quem riu, riu do contexto, não das cenas. E o contexto, por si só, não sustentou oito meses.

Como espelho do simbólico Macunaíma, Foguinho foi memorável. Lázaro Ramos encontrou o tom exato para o anti-herói que fugiu da mesmice dos outros núcleos. Um sopro de inovação que modernizou o conceito de protagonista. Defeitos, humanidade e reflexão.

Tal revolução só foi possível porque o excesso de romantismo estava canalizado em Duda, o herói sem sal de Daniel Oliveira. Ao lado de Mariana Ximenes, Bel, o menino não teve oportunidade desenvolver seu já conhecido talento. Culpa dos clichês.

Taís Araújo, Ellen, equilibrou-se muito bem. Os altos e baixos da personagem, que várias vezes mudou de rumo sem verosimilhança alguma, não impediram a atriz de brilhar. E de ofuscar a linear Carolina Dieckmann. Esta não conseguiu chamar mais atenção que seu figurino. Inesquecíveis botas...

Mas justiça seja feita. Carolina não foi de todo mal se comparada a Henri Casteli. Este, definitivamente, não está preparado para um vilão.

Marília Pêra, sempre formidável, defendeu uma personagem oca. Milú ficou à deriva entre o cômico e o satírico. E teve um desfecho muito mais para o ridículo que para o engraçado. A velha história de se valer de um drama pessoal para vencer na política.

Cobras e Lagartos comprova. O público quer romantismo. Quer jogo de poder. Quer maldades. E quer humor. Foi nesta compreensão que João Emanuel Carneiro reconquistou o ausente público das sete. Inovando e repetindo, dosando e exagerando, acertando e errando... No paradoxo que o título sugeria.

Aguarde. Dia 4 de dezembro um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

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