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6 de fevereiro de 2007 22:22


A NOVA VISITA DA VELHA SENHORA

Não faz muito tempo ela estava ali. Ditando tendências. Inventando regras. Brincando de impor limites em nome de pseudo-ideologias.

Ela se foi. Levada por uma onda democrática que pintou o país (e a cara dos estudantes) de verde e amarelo. Respiraram. Experimentaram. Ousaram. E muitos exageraram. Foi o suficiente para que, vestida de defensora da ética, ela ensaiasse uma volta.

Impressionante a quantidade de intelectualóides (termo utilizado por Janete Clair para definir toupeiras infiltradas na academia) que levantam a voz para defendê-la. Lutam por novas leis que, no frigir dos ovos, não passam de releituras da velha e triste "defesa da moral e dos bons costumes".

Discutem portarias, condutas éticas, proibições. Erotização infantil não é culpa de mães ensandecidas. É culpa dos programas de auditório. O culto a baixaria não é conseqüência do lastimável sistema educacional país. É conduta da Rede TV!. Violência não é reação da (ausência de) política social. É idéia plantada pelos telejornais.

Parece mentira. Mas ela pode voltar. E com tudo...

Aguarde, dia 20 um novo post no Televidere que, esta semana, completa quatro anos e agradece as visitas quinzenais

Leandro Barbieri//
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6 de fevereiro de 2007 22:12


PÁGINAS DA VIDA: "VOU TE CONTAR..."

Atores e telespectadores estão reclamando dos rumos que Páginas da Vida está tomando. O autor, Manoel Carlos, se defende. Segundo ele, sua novela promove uma circulação de núcleos, deixando ora algumas personagens em evidência, ora outras.

O problema de Páginas da Vida não é o estilo do roteiro. Modelo semelhante foi muito bem empregado em Mulheres Apaixonadas, também de Maneco. A questão é que os núcleos em evidência não se preenchem.

Esperamos capítulos e mais capítulos para que Renata Sorrah crescesse com sua Teresa. O seqüestro de seu filho, Luciano, era a deixa para a série de acontecimentos que revolucionariam seu casamento, sua carreira e suas relações. O anti-climax foi violento. Nestor (Zé Carlos Machado), o esposo-vilão, mal se revelou e já morreu baleado. O menino foi salvo e o marasmo do núcleo reestruturou-se em menos de dez capítulos.

Dentre os figurantes de luxo, Márcia (Helena Ranaldi) é a mais lamentável. Parece que a morte de Gustavo (Antônio Calonni), que a deixou viúva no início da trama, esvaziou seu papel. Márcia só perde para o insosso Leandro (Tato Gabus), talvez a mais inútil personagem da teledramaturgia brasileira.

E temos as protagonistas. A chatíssima Olívia (Ana Paula Arósio), a mal explicada Tônia (Sônia Braga) e a ridícula Helena (Regina Duarte).

Ridícula é a palavra. Vide a cena em que a médica encontrou a lápide da própria filha no cemitério. A canastrice de Regina deixou o público envergonhado. Envergonhado por ela. E pela direção de elenco que ainda não captou a naturalidade do texto.

O contraponto desta triste performance é Lília Cabral. Experiente, a atriz consegue desviar dos equívocos da direção e manter o charme de suas falas. Aplausos!

Que a trama é envolvente, não se discute. Acompanhar o dia-a-dia de cem pessoas é no mínimo combustível para qualquer curioso. O que falta é dramaturgia. Conflito. Até o Big Brother está mais dramático.

Resta saber como Manoel Carlos se encaminhará para os capítulos derradeiros. Difícil prever as últimas emoções de uma novela nada emocionante. Como diria o acorde que encerra cada capítulo, "vou te contar..."

- A postagem deste texto foi atrasada por problemas técnicos -

Leandro Barbieri//
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A cada quinzena uma homenagem à TV brasileira

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Os textos deste site também podem ser lidos na Coluna Televidere do Jornal da Liberdade de Comunicação

"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

ILUSTRAÇÕES: Pedro Ivo FOTOS: globo.com sbt.com.br

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